Quem pensa em anunciar na Austrália encontra um mercado em aceleração, com a publicidade na internet crescendo 14% e chegando a A$ 19,8 bilhões no último ano fiscal, a maior alta em quatro anos, segundo o Interactive Advertising Bureau Australia (IAB Australia). O vídeo em redes sociais liderou o avanço, com alta de 29,5% no mesmo período.
Os valores estão em dólares australianos (A$), e o ano fiscal do país vai de julho a junho, diferente do calendário brasileiro.
Para o player brasileiro, o recado prático é direto: mais verba local disputando a mesma audiência torna o leilão de anúncios mais concorrido para quem chega de fora.
O que mostram os números da publicidade online na Austrália?
A publicidade online na Austrália cresceu mais rápido que a própria média recente e ficou maior em todos os formatos principais.
O IAB Australia, braço australiano do Interactive Advertising Bureau, consolida trimestralmente com a PwC Australia os dados de gasto informados por veículos, publishers e plataformas de anúncio que atuam no país, e por isso o relatório serve de termômetro para quem planeja campanhas na Austrália sem ter histórico próprio naquele mercado.
O ritmo do último ano fiscal ficou acima da média de crescimento dos seis anos anteriores, segundo a mesma entidade. Na prática, o crescimento deixou de ser pontual e virou tendência, o que pesa na hora de projetar custo por mais de um trimestre.
| Formato | Investimento no ano fiscal | Variação anual |
|---|---|---|
| Busca | A$ 8,6 bilhões (43% do total) | maior fatia do mercado |
| Vídeo (todos os formatos) | A$ 5,9 bilhões (30% do total) | alta de 18,8% |
| Vídeo em redes sociais | A$ 2,4 bilhões (41% do vídeo) | alta de 29,5% |
| Classificados | A$ 3,1 bilhões | alta de 12,6% |
| Display sem vídeo | A$ 2,2 bilhões | alta de 6,9% |
A tabela mostra que todos os formatos principais cresceram, mas em velocidades muito diferentes.
Para quem decide onde colocar a primeira verba no país, a diferença de ritmo entre vídeo social e display tradicional indica onde a disputa por atenção ficou mais intensa.
Busca segue com a maior fatia
A busca continua sendo o maior canal de investimento em publicidade online na Austrália, com quase metade de todo o gasto.
Para o anunciante brasileiro, isso significa que palavras-chave de alta intenção de compra tendem a ter concorrência forte de marcas locais, e o orçamento de busca precisa de margem para lances mais altos.
Vídeo social puxa o crescimento
O vídeo em redes sociais foi o formato que mais acelerou e já responde por quatro em cada dez dólares aplicados em vídeo no país. Quem pretende escalar campanhas na Austrália com peças estáticas encontra um ambiente em que a verba local migrou para o movimento.
O que é o ano fiscal australiano
O ano fiscal australiano começa em julho e termina em junho do ano seguinte. Ao comparar os números do IAB Australia com relatórios brasileiros, o gestor precisa alinhar os períodos antes de tirar conclusões sobre sazonalidade.
Por que o vídeo nas redes sociais cresceu mais que o mercado?
O vídeo social cresceu mais porque os anunciantes australianos passaram a concentrar ali uma parte maior da verba de vídeo.
O relatório mede para onde o dinheiro foi, sem apontar um motivo único, e o dado mais útil para quem vem de fora é a proporção, já que o vídeo social passou a somar bem mais de um terço de todo o vídeo e deixou de ser formato complementar para virar o centro do planejamento de muitas marcas locais.
Para o gestor brasileiro que quer anunciar na Austrália, a leitura prática é de produção. Se a concorrência local investe cada vez mais em vídeo curto nas redes, criativos estáticos adaptados de campanhas brasileiras tendem a disputar atenção em desvantagem.
Vídeo social e vídeo display são coisas diferentes nesse contexto.
O primeiro roda dentro do feed das redes sociais, em formato vertical e curto; o segundo aparece em sites e aplicativos de conteúdo, geralmente em formatos horizontais.
Planejar os dois com a mesma peça costuma desperdiçar verba.
O que um mercado mais disputado significa para quem anuncia de fora?
Um mercado mais disputado significa leilão mais caro e menos espaço para testar criativos sem planejamento.
O início do ano mostrou que a alta não foi pico isolado, porque o primeiro trimestre registrou o maior volume já medido para o período, e esse ritmo contínuo reduz a chance de encontrar janelas de custo baixo para entrar no mercado australiano sem concorrência forte.
O mercado australiano registrou A$ 4,9 bilhões no trimestre de janeiro a março, alta de 15,3%, segundo levantamento do IAB Australia com a PwC Australia repercutido pela imprensa especializada.
Lido junto com o resultado do ano fiscal, o dado indica demanda firme durante todo o período. Para quem vai anunciar na Austrália, isso pede orçamento pensado para custo alto contínuo, e não para uma promoção de curto prazo.
Leilão mais concorrido
Nas plataformas de anúncio, o preço de cada impressão ou clique sai de um leilão entre anunciantes que miram o mesmo público.
Com mais verba local entrando, o custo por mil impressões (CPM) e o custo por clique (CPC) tendem a subir para todos, inclusive para quem chega do Brasil.
O histórico de gasto da conta também pesa. Contas com histórico consistente costumam ter mais estabilidade para escalar, enquanto contas novas precisam de tempo para ganhar volume sem travas.
Criativo em vídeo como padrão
O criativo em vídeo deixou de ser diferencial e passou a ser o padrão de comparação no feed australiano. Antes de subir campanhas, vale produzir versões curtas, verticais e legendadas em inglês, pensadas para o público local e não apenas traduzidas do português.
O que muda para quem anuncia na Austrália a partir do Brasil
Para quem anuncia a partir do Brasil, muda a necessidade de estrutura de conta estável e em moeda estrangeira.
Anunciar na Austrália a partir do Brasil exige conta de anúncio configurada para rodar em dólar, cartão ou meio de pagamento internacional, criativos locais e uma Business Manager (BM), a central de contas de anúncio da Meta, organizada para separar campanhas por mercado e evitar que um problema em uma conta pare toda a escala.
Isaac Barreto é CEO da Alfa Manager, empresa de soluções digitais que atende gestores de tráfego que anunciam em volume na Meta, no Brasil e em mercados como Estados Unidos, Europa e Austrália.
Conta em moeda estrangeira e estrutura pronta
Conta em moeda estrangeira faz parte do planejamento de quem mira mercados como Austrália, Estados Unidos, Europa e Canadá. O executivo afirma que “Entre os perfis que atendemos estão players que escalam campanhas fora do Brasil, em mercados como Estados Unidos, Europa, Austrália e Canadá. Para esse público, conta de anúncio em dólar pronta para rodar é parte da estrutura, não improviso.”
A variação cambial entre o real e o dólar australiano também entra na conta. Como o custo de mídia é pago em moeda estrangeira, oscilações do câmbio alteram o orçamento em reais mesmo quando o CPM fica estável.
Contingência no planejamento de custo
Contingência de conta é ter uma estrutura reserva pronta para voltar a rodar campanhas se a conta principal for bloqueada. Barreto afirma que “Bloqueio de conta na Meta virou risco previsível para quem anuncia em escala. Quem tem uma BM com histórico de gasto pronta para subir campanha em caso de bloqueio pode voltar a rodar no mesmo dia. Contingência de conta deveria estar na planilha de custo de toda empresa que vive de tráfego pago.”
Em um leilão mais caro, cada dia parado custa mais em oportunidade perdida. Por isso, a reserva de conta entra como linha fixa do orçamento, ao lado de mídia, produção de vídeo e câmbio.
Quais pontos conferir antes de levar campanhas para a Austrália?
Antes de levar campanhas para a Austrália, confira estrutura de conta, criativo em vídeo, orçamento em moeda estrangeira e regras locais.
Uma lista curta ajuda a decidir se a expansão está madura, porque o mercado australiano recompensa quem chega com estrutura estável, peças em vídeo pensadas para o público local e margem de orçamento para um leilão que vem ficando mais concorrido ano após ano.
- Estrutura de conta: BM organizada por mercado, conta em dólar ativa e meio de pagamento internacional testado.
- Contingência: estrutura reserva com histórico, prevista na planilha de custo.
- Criativo: vídeos curtos, verticais, em inglês australiano e com legenda.
- Orçamento: margem para CPM e CPC mais altos que no Brasil e para a variação do câmbio.
- Conformidade: políticas de anúncio das plataformas e regras locais de publicidade e privacidade conferidas antes do lançamento.
Nem todo negócio está pronto para anunciar na Austrália.
Operações que ainda dependem de uma única conta, sem criativo em vídeo e sem folga de caixa em moeda estrangeira tendem a sentir mais o leilão local; nesses casos, consolidar a estrutura no Brasil antes da expansão costuma ser o passo mais seguro.
Para quem já tem essa base, anunciar na Austrália abre espaço para escala, desde que a campanha chegue com vídeo, orçamento realista e conta preparada para não parar.

