Regulação das fintechs deve democratizar o acesso ao crédito

Mercado das fintechs reage positivamente a anúncio do Conselho Monetário Nacional. Previsão é de maior concorrência e queda de juros

Fintechs

(Crédito: anyaberkut / 123RF Imagens)

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou recentemente duas resoluções que regulamentam a atividade das fintechs, empresas de tecnologia que atuam no setor financeiro. Com a ação, o objetivo do órgão é de diversificar o mercado de crédito e estimular a queda dos juros ao consumidor no país.

De acordo com Mathias Fischer, Diretor de Regulação da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), quase 50% da população brasileira não tem acesso a serviços bancários atualmente. Esse tipo de público e empresas de menor porte, como as startups, têm dificuldades para conseguir financiamentos.

Dificuldades para obter crédito

“São procedimentos simplificados e com uso intensivo de tecnologia para a realização das análises de crédito. Com isso, espera-se que a gente consiga reduzir o custo dos empréstimos. E passe a fornecer o acesso ao crédito a algumas parcelas da população e de empresas. São as pessoas sem conta em banco e que têm dificuldades de acessar empréstimos. Ou empresas de menor porte, startups. Um público que não tem os trinta e seis meses de faturamento que alguns bancos pedem”, disse Fischer, em entrevista à Agência Brasil.

Atualmente, a ABFintech tem 343 fintechs associadas. A entidade pretende concluir no próximo mês um levantamento com mais dados sobre o setor.

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Aumento da concorrência

Fundador da Kavod Lending, fintech de crédito voltado para empresas, Fábio Neufeld disse acreditar que a nova regulação anunciada pelo CMN aumentará a competição no mercado.

“Com a regra clara, as fintechs vão conseguir fazer mais investimentos e crescer mais rápido. Os bancos terão de acompanhar a redução de juros ou fazer parcerias com as fintechs”, disse Neufeld

Segundo o executivo, com as novas regras, não será mais necessário depender de uma instituição financeira para atuar no mercado.

“Para cumprir a legislação, há a necessidade de estar ligado a uma instituição financeira e atuar como corresponde bancário. Hoje, fazemos a modalidade de peer-to-peer lending, mas, na realidade, estruturamos toda a operação e entregamos para uma instituição financeira fazer a formalização”, afirmou Neufeld.

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Tempo de implementação

A Kavod Lending opera no modelo de financiamento coletivo peer-to-eer, em que qualquer pessoa pode emprestar dinheiro para empresas de pequeno e médio portes com faturamento anual mínimo de R$ 6 milhões. As operações contam com garantias como recebíveis, máquinas, automóveis, imóveis, aplicações financeiras, entre outros bens materiais. Segundo Neufeld, a aprovação do Banco Central para proponentes atuarem como instituição financeira deve levar cerca de seis meses.

“A vantagem é que deixa as operações mais flexíveis, mais ágeis e mais baratas, sem a intermediação de outra instituição”, disse o executivo. “Os bancos cobram, às vezes, uma comissão, um custo desproporcional ao trabalho que tem e a responsabilidade deles nessa operação. Então, na prática, ter mais um intermediário encarece a operação”, completou Neufeld.

Ele afirmou que atualmente as taxas dos empréstimos às empresas variam de 1,5% a 1,9% ao mês. Sem a intermediação de bancos, essas taxas podem cair entre 30% e 40%.

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