Fotógrafa transforma paixão que vem de berço em profissão

Conheça a história de Jack Mendonça. Ela largou o emprego que tinha em uma seguradora para empreender com seu amor pela fotografia

Fotógrafa Jack Mendonça

Divulgação: acervo pessoal

Fotografia é a arte de capturar momentos e torná-los eternos. E por intermédio dos olhos de um fotógrafo, grandes histórias podem ser contadas. Histórias que vão desde a celebração de uma grande cerimônia de casamento à amizade de uma turma de universidade numa festa de formatura. Ou o nascimento da primeira criança da família, que é exatamente o caso da niteroiense Jack MendonçaSobrinha da fotógrafa Darci Santos, cresceu sendo fotografada pela tia e acabou seguindo a mesma profissão.

“Sempre estive perto de uma máquina fotográfica. A paixão cresceu comigo. Primeiro sendo fotografada, depois fotografando”, conta Jack.

Os primeiros passos

Jack é formada em psicologia. Durante a faculdade, fez estágio em uma ONG que dá suporte emocional e psicológico para mulheres com câncer de mama. Foi justamente nessa época que sua vocação para a fotografia começou a falar mais alto. Ela deixou deixou o trabalho na área e virou fotógrafa da ONG.

“Acabei fotografando vinte e quatro mulheres e fizemos um calendário que rendeu boas coisas para a ONG”, relembra a fotógrafa.

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Ainda nos tempos de faculdade, Jack foi trabalhar em uma seguradora e mantinha a fotografia como um “bico”. Mas esse trabalho que, inicialmente, era um extra começou a tomar grandes proporções.

“Estava crescendo muito e eu não conseguia dar atenção. Fotografava no fim de semana e o meu marido fazia o relacionamento com o cliente”, conta Jack.

Só que essa falta de atenção começou a trazer alguns problemas. Jack perdeu alguns clientes por demorar a responder e a entregar as fotos. Em 2013, tomou a decisão de transformar sua paixão em profissão.

Amadurecimento da empresa

Jack mergulhou na sua nova profissão e decidiu investir na empresa. Fez um curso para se especializar, modernizou os equipamentos e investiu em portfólio. Ela, que sempre fotografou eventos em geral, descobriu a paixão por fotografar casamento. E foi participar de uma feira de noivas para aprender mais sobre esse universo.

Mais uma vez, guiada pela paixão, Jack tem como seu público-alvo as noivas. “Mas elas ficam grávidas e me chamam para fazer o ensaio. O bebê faz um ano e me chamam”, revela feliz.

Clique da Jack Mendonça em festa de aniversário de dois anos

Clique da Jack Mendonça em festa de aniversário de dois anos

Hoje, Jack tem como sócio seu marido Carlos Alberto Silva. E cada um deles tem estagiário. Juntos, dividem o trabalho nas festas. Ele filma e ela fotografa. E no dia a dia, cuidam juntos de toda a parte administrativa.

“Nós dois cuidamos das contas, pagamentos, salários… mas, no trabalho, eu cuido das fotos: edição, entrega e produção do álbum. Eu e minha estagiária. Ele cuida de toda parte da filmagem”, explica.

Rotina não é uma palavra no vocabulário do casal. Eles trabalham, em média, dez horas por dia. No dia da entrevista para o Negociarias, no início de janeiro, Jack já tinha agendado fotos com três noivas para a semana seguinte, três casamentos para 2018 e outro já para 2019.

“Isso é muito louco! Mas é um trabalho que amo fazer. E minha meta é sempre sair dos casamentos com, no mínimo, um evento marcado. Meus clientes me indicam muito. Eles são a minha melhor propaganda”, revela a fotógrafa.

A realização em capturar momentos

Clique da Jack Mendonça para book de casamento

Clique da Jack Mendonça para book de casamento

Jack fala com emoção sobre seus clientes: “amo registrar o sorriso das pessoas, amo o olhar de um noivo para o outro, aquela vontade de ser feliz… Isso sempre me emociona! Sempre!”.

Ela relembra um casamento que marcou sua história profissional. Fotografando há 14 anos, na época, ela não costumava ter ninguém para ajudá-la nas festas. E, para capturar os melhores momentos, optava em ficar sempre próxima a noiva.

“Nesse casamento, eu reparei que o noivo ia o tempo todo falar no ouvido da noiva. Ela ria e saía. Tirei várias fotos desses momentos sem a noiva ver. Quando ela viu as fotos, ficou muito emocionada. Contou que o noivo tentava tirá-la da festa. Eles nunca tinham tido intimidade e o noivo queria ir para lua de mel”, recorda Jack com carinho.

Essas histórias são o combustível do dia a dia da fotógrafa. Momentos que valem as muitas horas de trabalho e a falta de rotina.

Sempre aprendendo

Com a tia fotógrafa, Jack aprendeu quase tudo sobre a profissão. Fez vários cursos. E participa há quatro anos de um congresso em São Paulo. São três dias intensos de palestras com os melhores fotógrafos do Brasil e do mundo. Além disso, sempre se atualiza em cursos online.

Em 2016, ela começou uma pós-graduação em fotografia e imagens. Porém, teve que parar tudo devido a um momento difícil na vida pessoal: descobriu que a mãe estava com câncer e que não tinha cura. “Tranquei para ficar só com ela”, revela.

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O futuro

Mas Jack quer voltar a cursar a pós. Quer dar aula em faculdade. “Hoje fico de oito a nove horas atrás de uma noiva. Daqui a vinte anos, não terei mais esse pique”, afirma.

Essa certeza aumentou depois do curso de fotografia que ministrou no fim de 2017. Foram seis alunos participando e já tem mais pessoas interessadas para o próximo que será em março.

“Foi legal financeiramente e prazeroso saber que posso ensinar. Na verdade, era uma vontade antiga, mas não me sentia preparada. Achava sempre que precisava aprender mais. Mas, na crise que enfrentei, tive que deixar a insegurança de lado”, confessa.

A crise atingiu o mercado de festa e obrigou todo mundo a se reinventar e descobrir novos caminhos para seguir.

“As pessoas não deixam de casar porque é sonho. Mas passaram a gastar menos com a festa”, afirma.

Mesmo com momentos difíceis, Jack aumentou seu número de clientes desde o início da empresa, em 2010, quando a fotografia ainda era um “bico”. Hoje quer investir mais no seu portfólio para trabalhar em outros estados e até mesmo fora do Brasil, que é um sonho antigo. E, claro, dar mais aulas de fotografia.

“Quando comecei a fotografar ainda usava câmera analógica. Já tenho bastante equipamento. Hoje continuo comprando novos. Não paro”, afirma a fotógrafa.

E é essa paixão que vem de berço que guia os passos de Jack para o futuro.

Gostou da história da Jack? A próxima a aparecer aqui pode ser a sua. Escreva para o Negociarias e conte para a gente o seu caso de empreendedorismo.