Empresa familiar: casal de atores ganha a vida com sua arte

Os atores Bruna Campello e Léo Castro se conheceram no teatro, fundaram uma empresa para gerir suas carreiras e hoje sustentam uma filha com o que ganham nos palcos

Casal de atores Léo Castro e Bruna Campello, donos de empresa familiar, em cena.

Léo e Bruna em cima do palco, onde ganham a vida fazendo humor (Crédito: divulgação)

A arte é uma das mais antigas atividades humanas. E justamente por isso, ganhar a vida como artista é uma das primeiras formas de empreendedorismo de que se tem notícia. Surgido na Grécia Antiga, mais de 500 a.C. (antes de Cristo), o teatro foi a manifestação artística escolhida pelo casal Léo Castro e Bruna Campello não apenas como estilo de vida, mas como sua principal forma de sustento. Donos de uma empresa familiar de produções artísticas, eles se conheceram em cima de um palco, criaram um negócio juntos, casaram-se e hoje levam a vida e criam uma filha com os frutos do trabalho em cima dos palcos e em programas de TV.

Amor à primeira vista

“A gente se conheceu no curso do ator Bemvindo Sequeira. Quando o Léo entrou na sala eu já senti alguma coisa diferente. E quando o vi no palco pela primeira vez, pensei: ‘hum, tenho que pegar esse cara!’. Minha vida mudou ali. Seis meses depois estávamos namorando. De lá para cá, doze anos se passaram. Acabamos montando uma dupla e vivemos de nossa arte até hoje”, conta Bruna.

Quando o vi no palco pela primeira vez, pensei: ‘hum, tenho que pegar esse cara!’. Minha vida mudou ali

Ambos cariocas e atualmente com 35 anos de idade, Léo e Bruna atuaram juntos por quatro anos na companhia de teatro de Bemvindo.

“O Bemvindo é como se fosse uma faculdade viva de teatro. Acho que eu aprendi mais lá do que em qualquer outro lugar onde eu estive. Ele tem um teatro muito político e sabe ensinar como poucos. Quem mergulha ali e entende a proposta dele absorve muita coisa legal. Por outro lado, tem o fato de ele ser um cara clássico. Ele mantinha uma hierarquia teatral, algo que hoje eu não sei se sobreviveria, mas que há doze anos me ensinou muita coisa”, diz Léo.

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Quando Bruna entrou no grupo teatral, Léo já fazia parte do time havia um ano. E nos quatro anos em que estiveram juntos sob a batuta de Bemvindo, além de engatarem um namoro, o casal começou a moldar uma dupla que se tornaria sua atividade principal até os dias de hoje.

Casal de atores Léo Castro e Bruna Campello se beijando

Beijo do casal em cena (Crédito: divulgação)

O começo do empreendedorismo artístico

“Resolvemos sair juntos depois desses quatro anos por lá. Por mais que a gente gostasse muito do grupo, eram entre trinta a quarenta atores. Não teríamos a oportunidade de fazer alguma coisa como dupla, que era a nossa intenção. Então resolvemos sair e cair no mundo”, lembra Bruna. “Apesar de ter sempre mais de trinta atores no curso do Bemvindo, a gente trabalhava muito. Mas realmente ficava difícil estabelecer a nossa dupla ali. A gente queria fazer algo mais reduzido e com a nossa identidade. E foi quando resolvemos trilhar o nosso caminho”, conta Léo.

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O casal, então, criou o grupo Clã de Nós, em 2007, junto com outros seis atores. Com o tempo, acabou cada um indo para o seu lado e, hoje em dia, restaram apenas os dois, que comemoram o fato de terem liberdade em suas próprias produções.

“É muito legal viver assim, tendo um lugar que a gente instituiu. Pois a arte é muito ampla e a gente conseguiu estabelecer a nossa identidade”, diz Léo. “Quem vai nos assistir encontra um teatro nonsense, muito físico e político, ao mesmo tempo. Se é bom ou ruim, já vai da opinião de quem assiste. Mas essa é a nossa verdade”, descreve Bruna.

A ideologia não passa longe da forma de se apresentar do casal. Muito pelo contrário: é uma parte predominante em seu trabalho. E uma vez que enveredaram pelos caminhos do humor, estilo preponderante em seus trabalhos, uma das principais diretrizes que traçaram, desde sempre, foi a de nunca “bater no oprimido”.

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É muito mais fácil bater no oprimido, porque ele já está com a cara lá para bater. Para bater no opressor, é preciso estar muito afinado com um pensamento crítico

“É importante frisar essa coisa de bater no opressor em vez do oprimido, que é uma coisa que anda sendo abandonada no humor hoje em dia. É muito mais fácil bater no oprimido, porque ele já está com a cara lá para bater, mesmo. Ele já é minoria, mesmo. Então, quando você vai ver um espetáculo nosso, por mais que ele seja bem popular, com uma comunicação bem direta, que atinge qualquer um, ele não é burro e não é emburrecedor, que são duas coisas diferentes. Para bater no opressor, para atingir esse fim, é preciso estar muito afinado com um pensamento crítico”, analisa Léo Castro.

Empresa familiar

Bruna e Léo têm uma empresa juntos, a Kaézares Produções Artísticas, uma microempresa enquadrada no Simples. E é por intermédio dessa pessoa jurídica que emitem notas e cuidam da parte burocrática dos trabalhos que fazem como atores, sejam eles em dupla ou individuais.

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E enquanto Bruna tem o teatro no sangue e cresceu nas coxias, uma vez que sua mãe sempre trabalhou em espetáculos com uma companhia de dança, Léo traz do negócio de sua família o conhecimento de uma área muito importante para os negócios do casal: a contabilidade. Além disso, ele chegou ao sétimo período de uma faculdade de direito, curso que abandonou por excesso de faltas, uma vez que já viajava o Brasil fazendo peças.

“No meu caso é muito fácil gerir a empresa, porque a minha família é toda de contabilidade. E eu fiz curso técnico de contabilidade. Então, como eu também quase terminei a faculdade de direito, eu sei analisar um contrato, para fechar um negócio, assim como eu sei emitir nota, sei qual é o papel de um sócio-administrador, sei fazer o imposto de renda de uma pessoa jurídica”, conta o ator/contador. “Cresci dentro de um escritório de contabilidade, vendo meu pai e minha mãe trabalharem, num negócio de família deles. Sem contar que quando surge alguma dúvida, alguma mudança de legislação, eu ligo para eles e troco uma ideia. A gente se ajuda”, completa.

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Mas apesar de Léo ter todo o conhecimento da burocracia, a parte mais organizacional da dupla, como a agenda, normalmente é feita por Bruna.

“Eu emito as notas, sei destrinchar os contratos, mas normalmente é ela que me diz o que precisa fazer. As vezes ela me fala: ‘Léo, você tem que ir para o aeroporto, você tem um show em São Paulo!’. Se ela não me fala, é capaz de eu perder o voo. Ela me organiza. Se tem que emitir uma nota, normalmente é ela que me avisa e eu faço”, revela Léo.

Empresário é parceiro na prospecção

O casal não tem nenhum funcionário na empresa. E na prospecção de novos trabalhos, os dois contam com a parceria do escritório Montenegro & Raman, que os agencia.

“Nosso empresário nos coloca nos testes, cita o nosso nome sempre que é levantada uma possibilidade de elenco no qual o nosso perfil se encaixe. E isso vai gerando para a gente oportunidades, que vão gerando os trabalhos, que vão gerando as emissões de nota e fazendo a nossa empresa rodar. E o escritório fica com uma porcentagem desse valor, justa, porque está cavando esses trabalhos. E assim a gente vai vivendo”, explica o ator. “Não temos funcionários. O que fazemos, quando levantamos uma produção, é contratar uma galera de confiança, por um período da temporada, normalmente uns dois meses. Se amanhã a gente conseguir um patrocínio, para conseguir organizar uma temporada de um ano, por exemplo, aí já dá para contratar as pessoas, assinar a carteira e tal. A vontade é sempre deixar todo mundo o mais resguardado possível. Mas normalmente as produções têm períodos curtos. E aí nem tem como fazer de outro jeito”, completa.

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Patrocínio, por sinal, é algo que vem passando longe da dupla nas produções própria. E, mesmo assim, o casal consegue tirar seu sustento, normalmente apenas com as bilheterias dos espetáculos que fazem, com trabalhos para a TV, especialmente no canal Multishow, e com eventuais apresentações para empresas. E o viés político das apresentações, não necessariamente, é visto por eles como um impeditivo para que a dupla consiga apoio financeiro para suas peças.

“Sustentamos a nossa família com o que ganhamos de bilheteria. A gente tem um público certo. Fizemos recentemente uma temporada no Teatro dos Grandes Atores, no Rio, que encheu todos os dias”, conta Bruna, sobre o espetáculo “Pé na Porta – Comedy Show”, com direção geral de Fernando Caruso e direção de Amanda Paiva. “Não vou ser hipócrita. É claro que a gente gostaria de ganhar patrocínio. Seria ótimo começar uma nova temporada no teatro sabendo que já está tudo pago. E se submetermos nosso espetáculo para tentar patrocínio via Lei Rouanet, por exemplo, sabemos muito bem o que precisa ser retirado da peça para poder dar certo. Existem algumas possibilidades de fazer esse espetáculo dar certo sem entrar muito no meio da política. Mas aí seria algo só para dar uma levantada na conta bancária, o que seria importante, até porque temos família. Mas isso não significa que vamos mudar o enfoque. Simplesmente não vamos bater em ninguém. Porque ou a gente bate no opressor, ou não bate em ninguém. No oprimido eu garanto que, patrocinado ou não, a gente nunca vai bater”, reforça Léo.

Conquistas como casal e artistas

Léo e Bruna ainda estão construindo seu patrimônio. Alguns anos atrás, chegaram a dar entrada num apartamento, mas a situação no país mudou, tiveram que fazer um distrato e venderam um imóvel. Chegaram a comprar um carro 0 km, mas também precisaram vender, desta vez por uma questão ainda mais séria.

“Por conta do parto da nossa filha, tivemos que vender o carro também. A Bruna já tinha perdido uma gestação anterior. Ela tem o útero invertido e qualquer gravidez dela é de alto risco. E aí, precisamos de uns vinte mil reais na época, para pagar todas as despesas da gravidez. Vendemos o carro para isso”, conta Léo.

A pequena Carolina, prestes a fazer quatro anos de idade, foi um planejamento muito rápido, após a inesperada gravidez anterior. Apenas dois meses após perder a primeira gestação, Bruna já estava grávida de novo.

“Tivemos uma primeira gravidez que não foi planejada, mas perdemos o bebê. Eu senti muito, claro. Mas a Bruna, por ser mulher, logicamente sentiu muito mais. E aí ela ficou meio mal, foi apagando, e eu peguei e falei: ‘vamos resolver isso!’. Virou uma questão de honra. Então, ela foi planejada, mas foi uma coisa meio rápida. Meio que uma ‘vingança’. Do tipo: ‘ah, perdemos? Agora a gente vai fazer um filho, sim!’. Planejamos uma vingança contra o destino, que tentou nos falar que não teríamos uma criança”, diz Léo.

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E as despesas com o parto não foram as únicas que levaram o casal a fazer malabarismos após o nascimento de Carolina. Léo e Bruna contam que até mesmo uma permuta com a creche da pequena já foi feita, como um recurso durante um mês de vacas mais magras.

“Uma outra coisa até engraçada de falar:  teve um mês em que a gente estava um pouco sem dinheiro e precisava pagar a escola da Carol. Acabamos trocando a mensalidade por teatro. Era véspera de Dia das Crianças e eles estavam precisando de alguém para fazer uma apresentação. Pediram indicação para a gente e dissemos: ‘podemos fazer’. E fizemos em troca da mensalidade, pois naquele mês a situação estava um pouco difícil. E o mais legal é que a Carol ficou com muito orgulho de ver. Além de ter sido gratificante financeiramente, foi gratificante emocionalmente. Na hora em que ela viu a gente se apresentando na escola ela ficou felicíssima. E quando viu os amigos dela rindo, ficou ainda mais”, conta Bruna.

Outro exemplo das incertezas da vida de ator foi um mês em que o dinheiro para o aluguel ainda não estava garantido.

“Eu já estive numa situação de estar um pouco preocupado e falei para a Bruna: ‘passou o mês todo, faltam cinco dias para terminar e a gente tem que pagar o aluguel, precisamos levantar esse dinheiro’. Passaram-se dois minutos, tocou o telefone com uma proposta de uma apresentação para uma empresa e eu paguei o aluguel. Enfim, é uma loucura”, revela Léo. “Mas eu não tenho nada para reclamar, não. Sustentamos a casa, temos uma criança pequena, a creche está paga, as contas estão em dia. De vez em quando a gente passa alguns apertos, mas como qualquer outro trabalhador passa”, completa.

Bruna Campello e Léo Castro no aniversário de um ano da filha Carolina

Bruna e Léo no aniversário de um aninho da filha Carolina (Crédito: Photo Aquarelle)

Família e trabalho

Com um tipo de trabalho que nem de longe passa pela rotina de um horário comercial, de segunda a sexta, das 9h às 18h, Léo e Bruna se viram como podem para conciliar a vida pessoal com a profissional.

“Não temos babá. De vez em quando a família ajuda. Mas é uma coisa que vai da disponibilidade da família. As pessoas ajudam da maneira que podem, quando têm tempo. Mas não é uma coisa que dá para contar sempre”, diz Bruna.

Muitas vezes, no entanto, o casal acaba levando a pequena até mesmo para cima do palco.

“Minha sogra, sempre que pode, ajuda. A prima da Bruna também. Mas não é sempre que dá. E quando não dá, a gente leva para o trabalho, mesmo. Já cansei de colocar a Carolina no palco, porque não tinha onde deixá-la. Uma vez, na abertura de um festival de teatro em Cabo Frio, eu fazia uma sequência de personagens e no meio eu entrei com ela. A Bruna sustentou até onde deu. Mas no fim das contas, a criança é tão ingênua e espontânea, que qualquer jogo com ela funciona. E ela curte! Se amarra! Nunca achei que ela fosse curtir inicialmente. Sempre achei que fosse uma exposição. Mas volta e meia ela fala que quer fazer”, revela Léo.

Próximos projetos

Bruna e Léo têm um espetáculo pronto, o “Pé na Porta – Comedy Show”, que lotou teatros pelo Rio em 2017 e rendeu até entrevista no Programa do Jô. E será justamente este o espetáculo que eles levarão a Nova York em março.

“Fomos convidados para fazer o Pé na Porta em Nova York. E isso é muito legal, porque quando a gente faz um trabalho, ele nunca morre. As pessoas vão vendo e isso vai gerando coisas na frente. A gente faz uma temporada, ela acaba e o trabalho morre aqui para a gente. Mas sempre gera frutos e novos trabalhos”, diz Léo.

Ainda neste primeiro semestre, Bruna e Léo irão começar a ensaiar a peça “100 dicas para arranjar um namorado”, que terá direção de Maria Maya e texto de Dani Valente e Cacau Hygino.

Além disso, em abril Bruna estará no ar na nova temporada de “Treme-Treme”, do Multishow, que foi gravado no final do ano passado, enquanto Léo se prepara para gravar mais uma temporada de “Xilindró”, no mesmo canal.

Da esquerda para direita: Fernando Caruso, Jô Soares, Léo Castro e Bruna Campello

Foto com Jô Soares, ao lado de Fernando Caruso, após entrevista do casal no programa (Crédito: acervo pessoal)

“O primeiro semestre está assim com esses projetos. Mas volta e meia acaba aparecendo alguma outra coisa que atropela tudo. Quanto mais você se programa, mais dá errado. Vem uma coisa para te tirar do eixo, vem uma proposta de emprego irrecusável que faz você adiar uma ida para a Disney. No ano passado, por exemplo, para levar a Carolina para a Disney junto com a Bruna, eu perdi o Multitom, programa do Tom Cavalcante no Multishow. Eu já tinha participado da primeira temporada. E a segunda foi gravada em São Paulo, mas eu já estava com tudo pago e fui para Orlando com a família”, conta Léo. “O lado bom é que a gente acabou jantando com o Leandro Hassum por lá!”, revela.

Receita para viver de arte

Com formação superior em dança, Bruna tem pós-graduação em preparação corporal de atores e psicomotricidade. Atuou por 13 anos como assistente de direção dos espetáculos da Cia de Atores Bailarinos Adolpho Bloch, que teve sua mãe, Rosane Campello, como uma das fundadoras. Já realizou diversos trabalhos de direção de movimento e possui oito prêmios de melhor atriz em Festivais Nacionais de Teatro. É fã do mundo acadêmico e vê no estudo o melhor caminho para o aprimoramento de um profissional, inclusive nas artes cênicas.

“Sou muito acadêmica e acho que é preciso estudar muito, mesmo que algumas vezes a gente veja que pessoas que não estudaram nada estejam à nossa frente. Acho que conhecimento nunca é demais. Quanto mais você sabe, mais você consegue colocar sua linguagem dentro daquele panorama de possibilidades. Por exemplo, eu ter feito um curso específico de palhaçaria melhora muito minha apresentação solo, que tem um humor mais popular, mais rasgado. O curso que eu fiz de dança contemporânea também me ajuda no gestual durante minhas apresentações”, diz Bruna.

Já Léo é mais a favor da troca de experiências. Ator, diretor e roteirista, começou a trabalhar no ramo em 1999, na Companhia de Teatro Medieval. Depois, passou para a Companhia de Bemvindo Sequeira, antes de fundar o Clã de Nós ao lado de Bruna. Desde 2007, recebeu 11 prêmios em festivais nacionais de teatro. É considerado um dos mais prestigiados participantes de todas as edições do “Prêmio Multishow de Humor” e foi contratado do canal por dois anos. Atualmente, ainda trabalha para o Multishow, com o diferencial de que fecha contratos por obra.

Léo Castro em esquete apresentada no Prêmio Multishow de Humor, que foi muito elogiada pelos jurados

“Concordo com a Bruna que a pessoa tem que estudar. Eu só não acredito muito na educação do Brasil. Eu sou um cara que aprendi muito trocando com as pessoas que sabiam mais do que eu. E elas não necessariamente eram professores, que depois me dariam uma prova. E que se eu não tirasse mais do que sete eu estaria de recuperação, ou reprovado. Não acredito na ideia de que você tem que me testar e me provar. Se você me ensina uma coisa e depois tem que me testar, é porque duvida de mim. Você não sabe se eu aprendi mesmo. Mas o pior é que você não duvida só de mim. Você duvida de você, mesmo, da sua capacidade de ter me ensinado aquilo. O fato de eu ter ficado cinco anos com o Bemvindo Sequeira não me deu nenhum diploma. Mas ele me deu o que eu queria. Eu queria aprender o que ele sabe. E eu acho que as pessoas, não necessariamente têm que ter um diploma. Elas tem que estar sedentas de aprender o que as pessoas sabem. É conhecimento, independente de diploma”, afirma o ator.

Apesar de serem jovens, Bruna e Léo já têm muito tempo de estrada. E a sólida formação teatral, que resultou numa relação de amor com o palco, é um dos motivos pelos quais o casal não aproveita tanto os recursos da internet.

“Eu nem sei, na verdade, usar a internet direito. Eu sou do palco. O Léo sempre questiona isso, ele até tem mais vontade de usar mais esses canais. Eu bato palmas para um cara como o Windersson Nunes, por exemplo, pela cara de pau e também pelo talento. As coisas que ele faz têm muita propriedade. E eu fico muito feliz com uma galera assim, que também é oprimida, que vem lá do Nordeste. E hoje o cara enche arenas, como fez recentemente aqui no Rio. Eu não consigo fazer, mas existe e eu respeito”, diz Bruna. “O meu lugar é no palco, é da cena, é da construção de personagem. Não sei fazer esse jogo da internet, mas não tiro o mérito, não. Só não tenho muito tesão nisso. Mas talvez eu mude. É que tem toda uma logística, uma forma de fazer, eu até cheguei a tentar fazer algumas coisas, mas confesso que eu tenho uma certa preguiça de fazer sem ganhar dinheiro, sabe? É uma demanda de tempo muito grande, que talvez se eu não tivesse uma filha eu poderia até investir. Mas hoje não dá. É muita conta para pagar”, completa.

Para Léo, a ideia de que um grande ator se acha no teatro é a real. Segundo ele, o teatro não tem edição: “ou o cara é bom ou ele não é”.

“É por isso que dizem que para você ser ator de verdade, tem que fazer teatro. Teatro é a arte de quem sabe fazer, de quem se aprimorou ao máximo. É por isso que a gente acaba usando pouco a internet, porque ela camufla a gente. Mas é fato que temos que nos adaptar aos tempos atuais. E estamos nos revendo. A internet é o grande espaço democrático. Se uma pessoa não tem espaço na TV ou no cinema, ela vai para a internet e muitas vezes pode ter até mais audiência do que um ibope de televisão, como é o caso do Winderson Nunes. Um cara como ele dá uma porrada na televisão e pode falar: ‘não preciso de vocês para nada’. Mas o fato é que a gente sabe fazer muito bem o teatro. Então, na internet a gente não usaria tudo o que a gente sabe. E isso colocaria a gente num lugar de menos prazer. Essa é a questão”, revela o ator.

Bruna e Léo são artistas, mas também são empreendedores. Conhece alguém com um caso inspirador de empreendedorismo? Clique aqui e faça sua sugestão. Você ou qualquer outra pessoa que montou o próprio negócio pode ter sua história contada aqui no Negociarias.