Empoderar é um dos propósitos do empreendedorismo feminino

Palestras importantes do segundo dia da Feira do Empreendedor abordaram o tema, com dicas sobre finanças e sobre a importância de se atuar em rede

Carolina Sandler fala sobre empoderamento feminino e propósito na Feira

Carolina Sandler fala sobre empoderamento feminino e propósito na Feira (Crédito: Sebrae-SP)

O empreendedorismo feminino foi destaque de duas importantes palestras no segundo dia da Feira do Empreendedor, neste domingo (8). Não apenas pelo protagonismo das mulheres à frente de seus próprios negócios, mas também pelos propósitos do empoderamento e da colaboração.

No painel “Empoderamento e propósito, como casar os dois num empreendimento de sucesso”, a jornalista Carol Sander falou sobre sua experiência com a criação do Finanças Femininas, maior plataforma do Brasil para falar de dinheiro só com mulheres. Criado em 2012, tem como proposta ajudar as mulheres a organizarem melhor as suas finanças e se tornarem independentes. A palestra aconteceu justamente na sala que tem o nome de “Qual é o seu propósito?”, a de número 3 do Parque de Exposições do Anhembi.

Finanças Femininas

“O meu sucesso eu meço quando chega o e-mail de uma leitora dizendo que conseguiu acabar com as dívidas. Ou conseguiu abrir um negócio. Ou até mesmo sair de um casamento abusivo. Amo faturar, claro. É bom pagar as contas e sobrar um dinheiro. Mas o que me move é esse relacionamento com as minhas leitoras. Se eu não estou recebendo as histórias das leitoras, se não estou vendo os comentários, não faz sentido. Quando você monta um negócio de propósito, tem que saber o que é essencial”, disse Carol.

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A ideia de criar um site de conteúdo sobre finanças pessoais para mulheres nasceu de um jantar que Carol teve com duas primas economistas. Na época, cerca de cinco anos atrás, os blogs de moda passavam por um verdadeiro boom. E as três comentavam como os conteúdos femininos na internet giravam em torno de moda, beleza, casamento e maternidade. E foi então que veio o estalo.

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“Eu também comecei a ouvir muitas histórias de mulheres muito endividadas por comprar roupas de forma compulsiva. Eram influenciadas pelos blogs de moda. E aí veio a ideia”, contou a palestrante.

Após muita pesquisa, Carol disse que ter descoberto que 80% da audiência de sites sobre finanças pessoais era masculina. E a partir daí montou as premissas do portal de conteúdo que desejava criar:

Premissas do Finanças Femininas

  • Educação financeira é essencial para o empoderamento feminino;
  • Não é possível que conteúdo feminino na internet seja apenas moda, beleza, casamento e maternindade;
  • Dá para monetizar conteúdo gratuito sobre finanças pessoais para mulheres;
  • Mulheres que quiserem se aprofundar no assunto podem, sim, comprar conteúdos mais aprofundados;
  • Empresas preocupadas com suas colaboradoras podem, sim, contratar conteúdos especiais para elas.

Negócio de nicho

No início do site, de acordo com Carol, muita gente a desencorajou. Disse que não dava para ganhar dinheiro de conteúdo, tendo publicidade como renda. Ainda mais com um negócio de nicho. Mas a empreendedora tinha a resposta na ponta da língua.

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“Não tem o menor problema ser um negócio de nicho. Pelo contrário. Além disso, eu peguei o maior nicho do país. Afinal de contas, mais da metade da população brasileira é composta de mulheres. Me falaram: ‘esse negócio é um nicho tão pequeno. Por que não um site que fala com todos os gêneros?’. É simples: um site que fala com todos os gêneros fala praticamente só com os homens”, afirmou a jornalista.

Novos produtos

Atualmente, o Finanças Femininas tem mais de 145 mil pessoas em sua página no Facebook, 57 mil no Instagram e 24 mil no canal do Youtube. E em março deste ano, em parceria com a Mastercard, lançou um cartão de crédito pré-pago que funciona de forma similar a uma conta digital, já que opera por meio de recargas. Não tem parcelas, faturas e juros. E oferece diversos benefícios, descontos e conteúdos exclusivos.

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“Num negócio, você tem que estar sempre preparada para pegar os cavalos selados que passam na sua frente. Algum tempo atrás, eu fiz um desenho de todos os produtos que eu poderia ter pelo Finanças Femininas. E um deles era um cartão pré-pago. E numa época em que eu nem estava focada nisso, trabalhando em outros projetos, essa oportunidade apareceu. Uma empresa me procurou. Recebi o e-mail no dia sete de março de 2017. E exatamente um ano depois, em março deste ano, o cartão saiu”, conta a empreendedora.

Facebook e a atuação em rede

Em outra palestra importante do dia, o Facebook contou com seu Vice-Presidente de Pequenos e Médios Negócios da América Latina, Patrick Hruby, para falar sobre como criar comunidades e aproximar negócios.

E para exemplificar como empresas e organizações podem usar o Facebook para atingir seu consumidores e públicos desejados, ele chamou ao palco a Diretora Comercial da Rede Mulher Empreendedora, Marcela Quiroga.

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Marcela falou um pouco sobre o início da Rede Mulher Empreendedora (RME), que é a primeira plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil, idealizada em 2010, por Ana Lúcia Fontes.

De acordo com Marcela, após deixar o mundo corporativo e perder dinheiro em duas tentativas de empreender, Ana resolveu correra atrás de conhecimento e se capacitar. Fez inscrição num curso de empreendedorismo para mulheres da Fundação Getúlio Vargas e foi uma das 40 selecionadas entre 900 mulheres escritas. Ao perceber que mais de 800 ficariam sem acesso àquele conhecimento, ela decidiu compartilhar em seu perfil pessoal no Faceboook tudo o que estava aprendendo.

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“Sem perceber, ela começou a ver que não só essas oitocentas e poucas mulheres que ficaram de fora, mas também outras se aproveitaram disso. Viu que precisava agir como comunidade. De uma forma transformadora, mais democrática. E fundou a Rede Mulher Empreendedora, com um propósito muito forte de ajudar a mulher a ter sua independência financeira por meio do empreendedorismo. Começou a agir em rede. E quando percebeu, tinha dez mil seguidoras, depois cinquenta mil. Hoje temos mais de trezentas mil consultoras só no Facebook da rede”, contou Marcela.

Paradigmas do empreendedorismo feminino

Patrick Hruby, do Facebook, e Marcela Quiroga, da RME, em palestra na Feira do Empreendedor

Patrick Hruby, do Facebook, e Marcela Quiroga, da RME, em palestra na Feira do Empreendedor (Crédito: Sebrae-SP)

A representante da RME fez questão de ressaltar a importância de se trabalhar em rede. Segundo ela, um dos paradigmas do empreendedorismo feminino é que a mulher é tão intensa quando começa a empreender, que se joga de corpo e alma na operação.

“Ela acaba se sentindo sozinha. Não precisa ser sozinha. Você deve agir em rede, conhecer outras mulheres, para ver que a sua histórias é muito parecida com a de outras”, aconselhou Marcela.

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Outra paradigma, segundo ela, é a mulher achar que, para começar a empreender, ela deve estar totalmente pronta, juntar capacitações.

“O homem vai, se mete e depois se capacita. A mulher acha que tem que estar pronta. Mas agindo em rede, você vê que não precisa saber de tudo. Você vai se capacitando, acumulando o conhecimento ao longo da jornada”, disse. “E o outro paradigma é que para empreender você tem que ser um empreendedor nato. E a atuação em rede mostra que não. O que você não tem a outra te oferece, você vai assumindo responsabilidades, sendo protagonista e fazendo as coisas acontecerem”, completou.

Novidades da RME

Marcela anunciou duas novidades da RME. A primeira delas é o W55, uma aceleradora para empresas comandadas por mulheres. Segundo ela, o edital está no ar e as mulheres que já têm um empreendimento já podem se inscrever pelo site.

“E a segunda novidade é que no mês que vem a gente lança a Trilha Empreendedora. Uma plataforma com capacitações para as mulheres. Mas os homens também estão convidados a conhecer. Uma capacitação feita pela democratização do conhecimento de mulheres empreendedoras de verdade”, anunciou a Diretora Comercial.

O representante do Facebook também perguntou a Marcela sobre como os homens podem ser aliados das mulheres que querem empreender, ou já estão empreendendo.

“É importante que ele seja realmente parceiro, no compartilhamento das atividades, desde atividades de negócios, uma atividade da casa, da lida com os filhos, no apoio da capacitação da mulher, entre outras coisas”, disse Marcela.

Sobre o evento

A Feira do Empreendedor 2018, maior evento de empreendedorismo do país, acontece até o próximo dia 10 de abril, das 10h às 21h, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na zona norte de São Paulo.

A expectativa é de que 140 mil visitantes passem pelo local nos quatro dias de evento. A feira ocupa um espaço de 40mil m² e a estrutura contará com 425 estandes reservados para micro e pequenas empresas, além de 26 espaços reservados para patrocinadores.

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Cobertura do Negociarias

O Negociarias estará na Feira do Empreendedor, realizando uma cobertura diária. Por isso, assine nossa newsletter e fique de olho no site para saber todas as novidades sobre o maior evento de empreendedorismo do país.

Feira do Empreendedor 2018

Quando: de 7 a 10 de abril de 2018
Onde: Pavilhão de Exposições Anhembi
Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1029, São Paulo (SP)
Site: http://feiradoempreendedor.sebraesp.com.br

Como chegar no Anhembi:

Linha Azul do metrô:

• Estação Portuguesa-Tietê / Evento – Anhembi /
Estação Portuguesa-Tietê
• Horários: as vans gratuitas iniciarão os traslados na
Estação Portuguesa-Tietê a partir das 9h30; às 22h30
sai a última van de retorno à estação.

Linha Vermelha do Metrô:

• Estação Barra Funda / Evento – Anhembi / Estação
Barra Funda.
• Horários: as vans gratuitas iniciarão os traslados na
Estação Barra Funda a partir das 9h30; às 22h30 sai a
última van de retorno à estação.

O local do evento também dispõe de estacionamento. E os valores para que prefere dispensar o transporte público são de R$ 40 para veículos comuns e R$ 30 para motocicletas.