Cooperativa empreendedora: 250 detentas do Pará beneficiadas

Com o apoio da associação Junior Achievement, cooperativa de detentas com foco em empreendedorismo passará a aceitar egressas do Sistema Penal

Detentas da cooperativa empreendedora lendo o material da Junior Achievement

Detenta Gesielem Lopes já se especializou em pelúcias e sonha em mudar de vida (Crédito: Akira Onuma / ASCOM SUSIPE)

Mais de 250 internas detentas do Pará, custodiadas pela Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), estão sendo beneficiadas por um trabalho de estímulo ao empreendedorismo. A iniciativa é da associação Junior Achievement em parceria com a Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe), que há quatro anos funciona no Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, município da Região Metropolitana de Belém (PA).

Benefício também para as egressas

De acordo com a diretora do CRF Carmem Botelho, no final de 2017 a cooperativa passou por mudanças. Com a intenção de estimular a geração de emprego e renda, as detentas que forem soltas também terão a oportunidade de permanecer como cooperadas.

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“Antes havia uma condição que determinava que para permanecer na cooperativa a cooperada deveria estar no cárcere. Agora, as detentas que saírem de benefício, com alvará, de condicional ou se tornarem egressas também poderão permanecer na Coostafe. Esse é um avanço muito positivo, porque quando elas saem o mercado não é tão fácil, ainda faltam oportunidades. Então, na cooperativa elas têm a chance de continuar no mercado de trabalho até conseguirem uma garantia formal de emprego e renda”, destacou a diretora.

Trabalho voluntário da Junior Achievement

Uma das maiores organizações sociais incentivadoras de jovens do mundo, a Junior Achievement foi criada nos Estados Unidos, em 1919. No Pará, a associação começou a funcionar em outubro de 2005.

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Ocirema Figueredo, instrutora da Junior Achievement

Ocirema Figueredo, instrutora da Junior Achievement, destaca que o trabalho é totalmente voluntário (Crédito: Akira Onuma / ASCOM SUSIPE)

“Nós fazemos um trabalho totalmente voluntário e queremos dar uma visão do que é a educação empreendedora. Estamos aqui uma vez por semana e o objetivo é ensiná-las a fazer um planejamento de negócio, como administrar o empreendimento delas e também como irão divulgar através do marketing o produto que estão vendendo. É uma conscientização que elas ainda não têm”, explicou o, instrutora da Junior Achievement no Pará.

 

Gesielem Lopes Mamede, 48 anos, entrou na Coostafe há um ano. E a possibilidade de ter o próprio negócio e melhorar de vida despertou nela a vontade de aprender a fazer os produtos comercializados pela cooperativa.

“Quando entrei aqui ainda estava sem rumo e sem saber o que fazer da minha vida. Ficar na cela sem fazer nada é ruim. Eu cheguei a quase entrar em depressão. Foi quando uma colega de cela me falou da Coostafe e comecei a me interessar. No começo eu ia só observar, ajudando em uma coisa ou outra, para só depois aprender a fazer os produtos. Hoje, já faço quase tudo e me especializei em pelúcias. Adoro esse trabalho. Ele vai me dar uma nova vida”, contou, emocionada, a detenta, em matéria publicada pela Agência Pará.

Leilane Sales, detenta na cooperativa desde 2016

Leilane Sales espera aprender o suficiente para abrir o próprio negócio (Crédito: Akira Onuma / ASCOM SUSIPE)

A detenta Leilane Sales, 33 anos, está na cooperativa desde 2016 e vê nas aulas de empreendedorismo uma chance de aprimorar os conhecimentos recebidos diariamente na cooperativa.

 

“Todo dia nós aprendemos um pouco mais e a prática nós temos bastante. Já sabemos fazer bastante coisa, mas ainda não temos o conhecimento necessário para abrir nosso próprio negócio e mantê-lo no mercado. A concorrência lá fora ainda é muito grande, se comparado ao que a gente tem de conhecimento. Por isso, acho tão importante a gente ter essas aulas”, afirmou Leilane Sales.