Saiba como o medo pode te alavancar no empreendedorismo

Veja 12 dicas com base na psicologia para você aprender a lidar com sentimentos de incerteza e insegurança e usá-los a seu favor na hora de empreender

Mulher com medo

(Crédito: bialasiewicz/123RF)

O medo é um dos sentimentos mais comuns do ser humano, desde que o mundo é mundo. Ele nos faz agir com cautela, a fim de evitar situações perigosas ou prejudiciais de alguma forma. E a chave para não deixar que o medo nos paralise e nos impeça de prosperar é aprender a identificar até que ponto vale a pena investir em algum movimento que tenha riscos potenciais envolvidos. Em um artigo para o site Inc., no qual é editora, a empreendedora Lydia Belanger descreveu 12 fatores que mostram como o empreendedor pode tirar vantagem do medo.

Segundo ela, para um empreendedor, muitas coisas podem estar em jogo no momento das tomadas de decisão de uma empresa, para que ela cresça e sobreviva. E tais decisões têm impacto direto no sustento do empresário – além de sua família e de seus funcionários. Sem contar na sua reputação, na auto-estima, na saúde, na segurança de seus clientes e muito mais.

Portanto, para te ajudar a navegar pelos sentimentos de medo e maximizar suas chances de sucesso, leia aqui as 12 dicas do Inc., apoiadas pela psicologia.

1. Alguns medos podem te levar adiante

Uma pesquisa recente realizada pela Warwick Business School, no Reino Unido, revelou sete fontes de medo que os empresários enfrentam. São elas: segurança financeira; capacidade de financiar o empreendimento; capacidade pessoal/auto-estima; potencial da ideia; ameaças à estima social; capacidade do empreendimento para executar e custos de oportunidade.

De acordo com os pesquisadores, três desses sete fatores de medo motivam os empreendedores. Preocupações financeiras e de financiamento os levam a tomar decisões que ajudarão seus negócios. O custo de oportunidade é outro motivador. O termo refere-se aos sacrifícios que um empreendedor faz em nome de sua empresa. Uma vez que o empreendedor reflete sobre as oportunidades que perdeu, ele terá um incentivo para ter sucesso e não desperdiçar as oportunidades que verdadeiramente está buscando.

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2. Alguns medos podem te limitar

Os empreendedores preocupados com o potencial de suas habilidades ou idéias são aqueles, segundo os pesquisadores da Warwick Business School, que estão mais propensos a deixar que seu medo os paralise na inércia ou na passividade.

Quando as preocupações estão ligadas à autoestima, “a velocidade na tomada de decisões é diminuída, à medida que todos os dados possíveis são procurados. Evitar tomar a decisão errada acaba se tornando a prioridade número um”, concluíram os pesquisadores.

E a autora do artigo completa, dizendo que “você pode se sentir tentado a fazer uma tonelada de pesquisas apenas para provar que seu próximo passo é a decisão certa. Mas é importante evitar que essa diligência atrapalhe o progresso”.

3. Você pode ser tentado a negar seus medos

Brad DeWees – um capitão da Força Aérea dos EUA e estudante de doutorado em política pública da Escola de Governo de Harvard Kennedy, com especialização em julgamento e tomada de decisões – disse uma vez que “pessoas podem tentar minimizar ou desconsiderar seus medos por um algumas razões”. A declaração foi dada ao site Entrepreneur.

De acordo com o artigo do Inc., ele destaca as pressões sociais e a autoestima individual como duas razões para negar o medo. E então identifica o denominador comum entre elas.

“Se você tem uma cultura que valoriza bravura ou certeza, ou mantém um senso de controle da situação, admitir o medo é admitir uma falta de controle. Uma falta de certeza”, disse DeWees ao Entrepreneur.

Os líderes podem se sentir pressionados a impressionar os outros e a tranquilizá-los, nunca expressando dúvidas. Mas as pessoas são receptivas à incerteza apresentada como fato. Ou seja, “acho que isso vai acontecer” ou “há uma chance de 60% a 80% de X”, observa DeWees. No entanto, segundo o capitão, essas pessoas não podem parecer desconfortáveis ​​com a incerteza, ou demonstrar falta de confiança ou autoridade em sua capacidade de prever o que pode acontecer.

4. Rastreie a origem de suas emoções

Sempre que você se sentir hesitante para fazer algo, pare e procure diagnosticar de onde sua emoção está vindo. Na maioria dos casos, você provavelmente descobrirá que pode identificar sua origem. Há emoções “integrais” e emoções “incidentais”, segundo DeWees.

Simplificando, se você está experimentando o medo em outro aspecto da sua vida, como um problema de saúde em alguém da família, isso pode se infiltrar em seu campo profissional e limitar suas decisões.

“As emoções são como um par de óculos que colocamos. Se estou com medo por causa de uma situação em casa, coloco meus óculos de medo e vejo mais riscos no mundo. Se você está ciente da fonte de suas emoções, você tem mais chance de controlá-las”, disse DeWees.

Se o seu medo está diretamente ligado a uma decisão que você está se preparando para tomar, tente pensar sobre isso racionalmente e com a maior antecedência possível. Razão e antecipação andam de mãos dadas. Se você esperar até o último minuto para se decidir, será menos provável que o faça com a cabeça fria. Suas emoções serão mais propensas a atrapalhar sua tolerância ao risco.

“Não é necessariamente uma má ideia ignorar as emoções. Mas, se você avaliar de onde vem a emoção e ainda estiver hesitante sobre uma decisão, por causa das emoções que ela gera, talvez valha a pena prestar atenção. Obtenha mais informações, o máximo que puder, até ter que tomar uma decisão”, concluiu o capitão.

5. O medo anda lado a lado com a inexperiência

Fique atento ao medo quando você está embarcando em um novo empreendimento. Seja quando está empreendendo pela primeira vez, entrando em um novo mercado ou tomando um certo tipo de decisão que você nunca teve que tomar antes. Geralmente esse medo está ligado à incerteza e à falta de controle. E você será mais suscetível a isso se for inexperiente em uma determinada área. Faça uma pausa e reconheça que você provavelmente tenha que se informar e se capacitar mais.

“Mas, por outro lado, nossas reações emocionais podem ser mais informativas em áreas da vida onde temos muita experiência. Especialmente a experiência que vem com o feedback regular”, disse o capitão, que admite ter uma opinião pouco controversa sobre o assunto. “Se você está atuando em uma determinada área e sente medo, provavelmente é um bom conselho ouvir a emoção”, completou.

6. Informações podem validar ou atrasar suas decisões

DeWees explica que existem duas mentalidades chaves nas quais as pessoas podem cair quando confrontadas com uma tomada de decisões. A primeira é a deliberativa, quando você está aberto e buscando ativamente novas informações. Depois, há uma mentalidade de implementação, quando você está pronto para cessar a pesquisa e começar a agir, ou decidir.

Se você estiver com dificuldades para implementar algo, lembre-se que a coleta de informações não termina quando a decisão é tomada. Especialmente se for uma decisão secundária.

“Tente não pensar na decisão como este grande momento antes e depois, mas como apenas um pequeno passo”, disse DeWees. “Mesmo uma decisão que parece importante pode ser adaptada ao longo do tempo. Basta pensar em quantas empresas giram em torno de seu plano de negócios inicial, produto ou mercado, por exemplo”, completou o capitão.

7. Tenha um plano de ação para quando você sentir medo

O medo que te leva a recuar, por causa da insegurança ou da falta de controle, pode ser uma emoção improdutiva. Mas quando ele te inspira a reunir mais informações (dentro da razão) e a se preparar para qualquer risco, pode ser uma força poderosa.

“Para aproveitar ao máximo o potencial do medo, os tomadores de decisão precisam de um plano de ação. Para abordar situações de indução ao medo”, diz a DeWees.

O capitão baseia-se em sua experiência na Força Aérea dos EUA.

“A perspectiva de pular de um avião inevitavelmente provocaria ansiedade. Nós lidaríamos com isso revendo, sozinhos ou em grupo, os passos que deveríamos seguir durante a missão. Passar por essa revisão foi uma forma de nos lembrarmos de que tínhamos alguma medida de controle sobre a situação”, disse DeWees.

Para os empreendedores, segundo o capitão, “o plano de ataque precisa ser voltado para a coleta de informações. Por exemplo: se eu sentir que estou com uma mentalidade de medo, vou entrevistar cem clientes em potencial, fazer um teste A/B e buscar um mentor”.

8. Peça apoio quando estiver com medo

Especialmente quando não você não tem certeza da razão pela qual está se sentindo de certo modo, ou se sua relutância é baseada no medo, a busca por outra pessoa e a descrição de seus sentimentos podem te ajudar. Fazer você sair da sua própria cabeça”, diz DeWees.

Portanto, encontre alguém da sua confiança, que esteja disposto a fazer perguntas. Conseguir uma segunda opinião é sempre uma boa pedida antes de tomar qualquer decisão.

“As pessoas realmente gostam quando são procuradas para um aconselhamento. É um elogio para elas”, afirmou DeWees.

Além disso, a pessoa a quem você recorrer também pode agir como mentora ou conselheira. E ajudar com seu processo de coleta de informações para tomar uma decisão racional e bem pesquisada.

9. Dinâmicas sociais e de grupo podem tanto capacitar quanto limitar

Se abrir para outra pessoa ou grupo de pessoas sobre o seu medo traz um outro benefício. Pois você fica menos propenso a fugir quando confrontado com o instinto de luta ou fuga, segundo DeWees.

“Se você encontrar medo em uma situação de apoio social, isso o torna mais propenso a procurar maneiras de responder ao estímulo do medo do que simplesmente fugir”, disse o capitão.

No entanto, ele enfatiza que “emoções podem ser contagiosas”. E é por isso que, quando as pessoas tomam decisões em grupos, o melhor curso de ação é que elas cheguem às suas próprias conclusões individualmente. Emoções ou outros preconceitos podem se espalhar entre o grupo, à medida que cada um se defende.

De acordo com os pesquisadores da Warwick Business School, “empreendedores em estágio inicial frequentemente se beneficiam de comunidades e redes locais. Elas fornecem acesso formal ou informal à orientação de pessoas com mais experiência. Através deste processo, eles aprendem que os sentimentos de incerteza e preocupação são comuns, bem como quais questões merecem atenção e quais se resolverão ao longo do tempo”, diz o estudo.

10. O medo pode influenciar os objetivos que você busca

O medo pode fazer com que empreendedores criem objetivos improdutivos para si mesmos. Esta é mais uma conclusão dos pesquisadores da Warwick Business School. Segundo o estudo, os empreendedores podem estabelecer valores de referência que certamente alcançarão, para dar a impressão de que estão obtendo sucesso. E assim, deixam de buscar um nível mais alto, para não correr o risco de ficar aquém do esperado.

Da mesma forma, de acordo com os pesquisadores, eles podem definir metas elevadas. Para que, ao não conseguirem alcançá-las, tenham justificativas prontas.

Finalmente, quando um empreendedor percebe que o fracasso está no horizonte, mas reluta em admiti-lo, ele pode dobrar uma meta ou um curso de ação. Mesmo com um feedback negativo e indicações de que as coisas não estão funcionando.

Estar consciente dessas armadilhas pode ajudá-lo a não sucumbir a nenhuma delas.

11. O sucesso pode ser tão assustador quanto o fracasso

Além de demandar muito trabalho, a construção de um negócio não acaba quando você atinge sua meta. Pelo contrário. Executar uma operação bem sucedida pode ser algo que vai demandar muito de você e mantê-lo ocupado.

Uma postagem no blog do Shopify sobre empreendedorismo e medo explica bem esse tipo de situação: “o compromisso com um novo empreendimento e a perda de liberdade que isso acarreta pode ser assustador. Assim como a perspectiva de perder a vida que você conhece ou seu círculo atual de amigos e familiares. Particularmente, pessoas de meios desfavorecidos são mais propensas a esse tipo de medo, porque elas se preocupam em ser alçadas a um novo papel ou esfera social”, afirma o artigo.

Em última análise, o medo do sucesso se resume a um medo de mudança. Mas não subestime sua capacidade de adaptação.

12. Para superar seus medos, enfrente-os

Pode parecer bastante simples ou até clichê, mas enfrentar seus medos é a melhor maneira de superá-los.

Em um artigo para a publicação Psychology Today, o psicólogo israelense Noam Shpancer escreve sobre o conceito de habituação. Muitas pessoas evitem situações que as deixem ansiosas. Mas se, se você nunca se expuser as coisas que o deixam desconfortável ou com medo, será muito mais difícil quando você for forçado a confrontá-las. Você provavelmente também experimentará um sentimento de fracasso quando ceder à fraqueza, em comparação com o sentimento de realização que sentirá se enfrentar seu medo.

Além disso, “evitar o medo elimina a prática”, escreveu Shpancer. “Sem prática, é difícil ganhar maestria. Sem maestria, é menos provável que a confiança aumente. Quanto mais você faz o que te assusta, mais você estará equipado, mais terá familiaridade”, completou.

Por outro lado, se você está habituado a algo, você reserva seu medo por coisas novas. Para chegar a esse ponto, no entanto, “você terá que permanecer na situação temida e lidar com o medo até que ele comece a diminuir”, completou Shpancer.

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