Cachaças artesanais: o caso de sucesso de um e-commerce

Cachaçaria Nacional vende cerca de 6,5 mil garrafas por mês, entre a loja virtual e seu clube de assinaturas, e faturou em torno de R$ 4 milhões em 2017

Rafael Araújo com um dos mais de mil rótulos vendidos na Cachaçaria Nacional

Rafael Araújo vende mais de mil rótulos na Cachaçaria Nacional (Crédito: divulgação)

Em 2012, os empreendedores mineiros Marcos Paolinelli e Rafael Araújo identificaram uma boa oportunidade de negócio. Ao observarem o crescimentos de lojas virtuais e clubes de compras de vinhos e cervejas especiais, perceberam que o mesmo tipo de serviço não existia para a bebida mais brasileira de todas: a cachaça. Além disso, os sócios notaram que muitas marcas artesanais, principalmente de Minas Gerais, não conseguiam ter abrangência nacional. E que vários aficionados não tinham acesso a cachaças de que gostavam. Nascia o e-commerce Cachaçaria Nacional, que hoje conta com mais de 1.800 rótulos, além de uma loja física em Belo Horizonte.

Faturamento milionário

De acordo com a Agência Sebrae, atualmente, a startup exporta e atende ao mercado B2B, pequenos empórios e adegas. Além disso, trabalha com acessórios para degustação, barris e produtos comestíveis do interior. Em 2017, segundo a revista Exame, a Cachaçaria Nacional fechou seu faturamento em R$ 4 milhões de reais, contra R$ 2,2 milhões em 2016.

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Em 2015, a Cachaçaria Nacional fundou seu clube de assinaturas. E a primeira loja física foi aberta em 2016. Além da cachaça, a empresa possui um empório com produtos tipicamente mineiros, como doces, bolos, biscoitos, queijos, temperos, antepastos, compotas, molhos e cafés especiais.

Ainda de acordo com a Exame, entre o e-commerce e o clube de assinatura, a Cachaçaria Nacional comercializa 6,5 mil garrafas por mês. E o ticket médio chega a R$ 250.

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Além de gostarmos bastante de cachaça, valorizarmos a cultura, o artesanal, as coisas da terra

“A Cachaçaria Nacional foi a pioneira na comercialização online de cachaças artesanais. Além de gostarmos bastante de cachaça, valorizarmos a cultura, o artesanal, as coisas da terra. Também fizemos uma extensa pesquisa e vimos a oportunidade em um mercado não explorado”, disse Rafael Araújo, ao Jornal de Negócios, do Sebrae-SP.

Bebida de qualidade

Um dos objetivos da Cachaçaria Nacional, segundo Rafael, é desmitificar a fama de bebida de baixa qualidade. Para isso, buscaram mostrar que a cachaça se destaca frente aos maiores destilados do mundo. E isso é comprovado por inúmeras premiações em diversos concursos internacionais.

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No início, a empresa se autossustentou com recursos dos próprios sócios, que não faziam retiradas. Tudo que arrecadavam com as vendas era revertido em novos investimentos. Assim, foram aprimorando tecnologia, espaço físico, funcionários e estoque. E com isso, depois de alguns anos de mercado, a empresa despertou o interesse de alguns investidores. Em em 2016 teve seu primeiro aporte financeiro, que, segundo Rafael, chegou exatamente num momento em que precisava de crescimento, capital de giro e experiência de gestão.

Dicas sobre e-commerce

Entre os principais desafios de um e-commerce, Rafael destacou na entrevista ao Jornal de Negócios do Sebrae-SP que acertar em uma boa plataforma, aliada a um bom meio de pagamento, devem ser as prioridades. Além disso, ele ressalta a importância da criação e da gestão de marketing diários e muito bem feitos.

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“Gestão de capital de giro e estoque também são extremamente importantes. Por último, boas parcerias com transportadoras e gestão de fretes”, enumerou o empreendedor.

Clube de assinatura

Lançado em 2015, o ClubeCN funciona com uma assinatura mensal. Por R$ 99,90, o cliente recebe duas cachaças de no mínimo 500 ml cada, porém diferentes entre si. E elas são selecionadas pela equipe de um mesmo alambique. Além de receber mais uma de 160 ml desenvolvida pela Cachaçaria Nacional em parceria com um alambique. O frete é gratuito e o sócio ainda tem 10% de desconto em qualquer compra na Cachaçaria Nacional.

Segundo Rafael, para um clube de assinaturas da certo, é preciso agregar muito valor às cachaças.

“Além de conseguir marcas com produtos muito bem feitos, rótulos com alto valor agregado, é necessário ter uma geração constante de conteúdo sobre cachaça em geral e sobre as específicas do mês. Fazemos questão de visitar cada alambique para gravarmos um vídeo mostrando a infraestrutura e toda a história da cachaça. Também fazemos parcerias com sommeliers ou cachaciers e gravamos vídeos sobre essas análises e parceria com o chef com um prato com a cachaça do mês”, revelou o empreendedor.

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