Nutricionista abre loja em Natal após três anos vendendo brownies

Cecília Mindêlo começou a empreender com uma produção de brownies caseiros e hoje tem uma das marcas mais concorridas no segmento de confeitaria da capital potiguar

Nutricionista abre loja em Natal após três anos vendendo brownies
Cecília Mindêlo feliz com sua nova loja em Natal (Crédito: Rogério Vital / Deguste)
Nutricionista abre loja em Natal após três anos vendendo brownies
Fachada da nova loja (Crédito: Rogério Vital / Deguste)
Nutricionista abre loja em Natal após três anos vendendo brownies
Os brownies, onde tudo começou (Crédito: Instagram)
Nutricionista abre loja em Natal após três anos vendendo brownies
Bem-casados de brownies (Crédito: Instagram)
Nutricionista abre loja em Natal após três anos vendendo brownies
Tortas de limão (Crédito: Instagram)
Nutricionista abre loja em Natal após três anos vendendo brownies
Empadinhas para atender a demanda por salgados (Crédito: Instagram)
Nutricionista abre loja em Natal após três anos vendendo brownies
Lembranças de Páscoa (Crédito: Instagram)
Nutricionista abre loja em Natal após três anos vendendo brownies
Ovos de Páscoa recheados com brownie (Crédito: Instagram)

O forno de um fogão doméstico na casa do pai foi o ponto de partida para a nutricionista Cecília Mindêlo se tornar, em poucos anos, uma das maiores referências em confeitaria de Natal, no Rio Grande do Norte. Após perder a mãe em 2011, quando tinha apenas 23 anos de idade, ela começou a fazer brownies para vender. Manteve uma produção caseira por três anos, passou por dificuldades com um ponto de vendas inadequado e hoje tem uma concorrida e muito bem conceituada loja na capital potiguar.

A vontade de ter um negócio próprio na área de alimentos permeava os pensamentos de Cecília desde que trabalhou como responsável técnica de uma grande churrascarias de Natal, após se formar em nutrição. Neste que foi seu primeiro emprego, cumpria uma carga horária pesada, trabalhando de domingo a domingo, e já via a abertura de uma empresa como uma boa forma de ter as rédeas da própria vida. E após passar algum tempo sem trabalhar, para cuidar da mãe, o empreendedorismo passou a fazer ainda mais sentido.

“Sempre gostei dessa área de produção de alimentos, que engloba gestão de pessoas, higiene pessoal e higiene de ambientes em geral. Saí da primeira empresa onde trabalhei porque não tinha tempo para nada. Minha mãe estava meio doente na época. Acabei indo para meu o segundo emprego, numa indústria, onde eu era gerente de uma unidade. Eu tinha uma flexibilidade maior de horário. Não trabalhava aos domingo e no sábado o expediente era até meio dia. A empresa passou por algumas mudanças e quiseram me pagar menos do que eu recebia. Não aceitei. E como minha mãe estava pior, terminei ficando com ela até ela falecer”, relembra Cecília.

Testando receitas

E foi numa conversa com um tio que a ideia dos brownies surgiu. Cecília começou a testar receitas em casa e logo já estava vendendo para amigas e aceitando encomendas para festas de familiares e conhecidos.

Comecei a fazer em casa. Com as vendas para familiares e amigos, começou um boca a boca. Aí eu passei a divulgar no Instagram. E as pessoas começaram a gostar e conhecer o produto

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“Hoje a gente tem uma gama bem maior de produtos. Mas o foco da empresa no início eram os brownies. Logo depois que minha mãe faleceu, comecei a fazer em casa. Com as vendas para familiares e amigos, começou um boca a boca. Aí eu passei a divulgar no Instagram. E as pessoas começaram a gostar e conhecer o produto”, revela a nutricionista empresária.

Produção caseira

A produção nos primeiros anos acontecia na casa do pai de Cecília. E a única grande mudança de estrutura que a empreendedora fez por lá foi a instalação de algumas estantes na cozinha, para organização dos materiais. Na época, os brownies eram assados num fogão normal e os clientes eram recebidos na sala de casa. Com o tempo, no entanto, a demanda forçou a saída da empresa para uma cozinha maior.

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“Os pedidos cresceram muito e não dava mais para a produção acontecer na casa do meu pai. Então, em 2014, decidimos montar uma loja só para a entrega das encomendas. Nela eu tinha um espaço de armazenamento e uma cozinha maiores. Mas colocamos algumas mesas e o pessoal que chegava na loja acabava querendo sentar para lanchar, tomar um café. E isso foi aumentando cada vez mais a demanda”, conta a empreendedora, que acabou precisando aumentar o seu leque de produtos: “nos primeiros meses, eu tinha apenas café e os brownies. Mas as pessoas queriam algum salgado, outros tipos de sobremesa. Vi que precisava aumentar a gama de produtos para podermos crescer”.

Problemas na loja

A primeira loja da Cecília Mindêlo Brownies, no entanto, acabou trazendo muitas dores de cabeça para a empresária, apesar de ter sido fundamental no crescimento de seu nome em Natal.

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“Foram muitas dificuldades na primeira loja. Não tinha banheiro para o cliente, porque era para ser só um local para entregas das encomendas. O estacionamento era muito ruim. O prédio era antigo. Então, frequentemente acontecia de faltar água e a gente ter que comprar água mineral para lavar as louças. Enfim, foi bem desgastante, mesmo. Mas serviu para o aprendizado”, conta Cecília.

O ponto dos sonhos

No ano passado, a empreendedora, enfim, encontrou o ponto ideal. Mudou-se para um espaço maior, no bairro Lagoa Nova, e aumentou ainda mais sua oferta de produtos. Segundo ela, os tempos difíceis e o aprendizado no primeiro ponto foram fundamentais para uma transição mais tranquila para a nova loja, inaugurada em setembro de 2017.

Eu só poderia ter vindo para um lugar tão grande como o que eu tenho agora depois de ter passado por essa primeira etapa

“Como eu tive as experiências negativas da primeira loja, eu sabia que não poderia ter isso na próxima. Eu só poderia ter vindo para um lugar tão grande como o que eu tenho agora depois de ter passado por essa primeira etapa. Agora temos mais mesas, uma cozinha maior e mais funcionários. Mas mesmo com as dificuldades, sempre consegui manter o padrão dos nossos doces”, diz a empresária.

Quando ainda fazia os brownies em casa, Cecília formalizou-se como MEI (Microempreendedora Individual). Com o crescimento da empresa, estourou o teto do faturamento e hoje está enquadrada na categoria Empresário Individual.

Interior da nova loja

Interior da nova loja (Crédito: divulgação)

Geradora de empregos

Em sua nova loja, Cecília tem uma equipe formada por sete pessoas. E apesar de elogiar e confiar no time que montou, faz questão de estar presente em todos os processos da empresa, inclusive na produção.

“Estou sempre na produção e estou sempre por aqui, participando de tudo. Sou eu quem faço tudo, desde a compra, ao contato mais próximo caso o cliente não tenha gostado de alguma coisa. Eu gosto de estar perto de tudo”, afirma a empreendadora.

Ajuda da família

Cecília conta com a ajuda do seu pai, que é aposentado, nas finanças. E além dele e da equipe que tem na loja, ainda recebe a ajuda do marido, que tem seu emprego, mas volta e meia dá uma força com alguma coisa da empresa.

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“Meu pai me ajuda e faz a parte financeira. Ele é bem e vem aqui diariamente para organizar minhas contas. Após a mudança para essa loja maior, estamos passando por uma consultoria do Sebrae, para nos adequarmos a essa nova realidade e tem sido bem proveitoso”, conta Cecília”.

Cardápio variado

Os brownies ainda têm posição de destaque na nova loja, mas o menu tem uma grande variedade de sobremesas e também alguns salgados. Além disso, Cecília continua aceitando encomendas para festas e eventos. E está sempre pensando em novas receitas e em formas de movimentar a loja.

“Nossa marca é o brownie. Então, a gente sempre tem os brownies mais simples, já embaladinhos aqui na loja. Temos também os bem-casado de brownies e brownies gourmets. Aumentamos os salgados. Hoje em dia, um de nossos produtos mais pedidos é o naked brownie é o principal. Os cheesescakes e a torta de limão também estão bombando. E também temos alguns sorvete de fabricação própria”, lista a empresária, que está aproveitando a Páscoa para vender produtos diferenciados: “é uma época bastante movimentada. Montamos uma vitrine especial e planejamos alguns produtos especiais para pronta entrega”.

No novo ponto, Cecília abre ao público de terça a sexta das 13h às 19h e nos sábados e domingos de 13h às 18h. Além disso, não são raras as vezes em que costuma aproveitar a segunda-feira em que a loja fica fechada para resolver alguma questão da empresa.

Hoje, assim como em seu primeiro emprego, ela trabalha de domingo a domingo. Mas sente-se recompensada por ter seu próprio negócio.

“Abrimos para o público no início da tarde, mas a produção diária começa bem antes, pela manhã, pois é tudo feito no dia. Tudo fresquinho”, revela Cecília.

Franquear não é parte dos planos

E é justamente a preocupação com a qualidade o que faz com que a empresária não cogite, por enquanto, transformar sua marca numa franquia.

Desde que abriu o novo ponto, em setembro, Cecília praticamente não teve folga até janeiro, quando conseguiu tirar 15 dias de férias. Mesmo assim, ficou numa casa de praia por perto e volta e meia aparecia na loja.

“Não tenho como tirar férias no momento. Até porque, qualquer problema que aconteça, é a mim que a equipe vai recorrer. E eu não posso simplesmente fechar as portas”, diz a empresária.

Em busca de um sócio

E é justamente para dividir a pesada carga de tocar do negócio, que cresceu tanto e em tão pouco tempo, que a empreendedora pretende arrumar um sócio para sua empresa.

“Pretendo realmente ter uma pessoa aqui comigo, diariamente. Alguém para dividir as tarefas e as responsabilidade. Que esteja vendo os problemas comigo. Tem muita coisa que eu quero fazer na própria empresa, mas acabo não tendo tenho tempo”, afirma Cecília. “Já temos um nome bem forte na cidade. Mas isso não quer dizer que a gente deve ficar na zona de conforto. Precisamos sempre criar coisas novas”, completa.

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