A engenheira que virou artesã e montou um negócio

Conheça a história de Míriam, que depois de ficar desempregada decidiu seguir os passos da avó e criou sua própria empresa como MEI

Foto de bolsas confeccionadas pela Mimi Costurices, negócio de artesanato em tecido criado pela Miriam Silva

Algumas peças da Mimi Costurices (Crédito: arquivo pessoal)

Quando uma crise chega, se reinventar é preciso e urgente. E pode ser o momento de realizar aquele antigo sonho repleto de memória afetiva que você nunca pôs em prática. Foi exatamente o que aconteceu com Míriam Silva de 32 anos, dona da Mimi Costurices. Engenheira Química com pós-graduação em Petróleo, ela ficou desempregada em janeiro de 2016 devido à grave crise econômica enfrentada pelo setor petrolífero. Com o tempo ocioso, Míriam lembrou de seu antigo sonho de aprender a costurar e fez do artesanato em tecido o próprio negócio. 

“Cresci vendo minha avó Carmen e minha madrinha Cássia costurarem. Elas faziam para mim e pra minha irmã Helena, pijamas, roupas para as bonecas, fantasias de Carnaval. Fora as coisas para casa, capas de almofada, cortina. E sempre tive vontade de aprender com ela. Mas ela não chegou a conseguir me ensinar. Por conta de um AVC, que teve depois do falecimento do meu avô Antônio, ela perdeu os movimentos finos e não conseguiu mais costurar”, conta Míriam.

Foto de Míriam

Míriam teve aulas de costura com um professor do Senac antes de abrir sua empresa (Crédito: acervo pessoal)

Decidida a realizar o sonho, começou a procurar por cursos e a se informar com amigos para saber se alguém podia indicar um caminho. Foi quando a oportunidade de ter aulas particulares com um professor de Costura do Senac apareceu: “Mas eu não tinha dinheiro para isso. Conversei sobre o sonho e sobre o desemprego. O professor falou que eu poderia fazer a aula assim mesmo sem pagar ou pagando o quanto eu pudesse”.

Aprendendo a fazer artesanato em tecido

Ao lado de Ana, mãe de uma amiga, Míriam começou as aulas. Atencioso, o professor ensinou tudo do mais básico como pegar uma agulha até fazer com que as alunas confeccionassem roupas. “Fiz com ele, começando do zero, uma bermuda e uma camisa social para mim. A sensação depois disso foi de que eu conseguiria fazer tudo o que eu quisesse”, lembra. Em um certo momento, a amiga precisou parar de fazer o curso e Míriam não achou justo continuar já que não pagava pelas aulas. 

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O sucesso de vendas em uma feira

As oportunidades de trabalho na área de Engenharia continuavam sem aparecer. Mas, por outro lado, o incentivo de pessoas próximas para que ela fizesse algo para vender começou a acontecer. “Primeiro, fiz uma capa para minha máquina de costura porque ela precisava de proteção. Depois, fiz máscaras de dormir, com ervas aromáticas relaxantes para presentear as amigas. E um chaveiro em formato de peixe pra minha mãe”, diz.

Nessa época, foi convidada para participar de aulas de Patchwork (uma técnica de costura que consiste em unir várias tipos de peças de tecido e costurá-las entre si). Duas amigas, que também faziam as aulas, iam expor em uma feira em Santa Teresa (zona central do Rio) e perguntaram se ela gostaria de fazer algo para vender e ir junto. Míriam aceitou: “Era época de Olimpíadas, achei que seria uma oportunidade. Fiz máscaras, porta-documentos, porta-absorvente. Poucas coisas”.

O que Míriam não contava é que seus produtos seriam um sucesso: “No primeiro dia de feira, vendi quase tudo. Então, trabalhei de madrugada para fazer mais peças e ter mais coisas pra vender no dia seguinte. Não sobrou nada. Vendi tudo”, garante. 

O nascimento do negócio Mimi Costurices

Depois desse evento, Míriam começou a acreditar no negócio: “Fui aprendendo, criando, desenvolvendo e fazendo mais e mais coisas”. Nesse período, criou a marca Mimi Costurices para expor os produtos nas redes sociais.

Foi quando se descobriu empreendedora. Dona de sua própria empresa, Míriam conta que o dia-a-dia é corrido: “Não é fácil, exige muita força, muita organização, muita disciplina. Todo meu tempo de trabalho tem que se adequar a rotina da minha casa. Eu trabalho feriado, fim de semana. Tenho que responder as mensagens de Whatsapp, Facebook e Instagram. Tirar fotos dos produtos que faço. Ir às lojas comprar tecidos e aviamentos. Organizar fila de encomendas. Administrar finanças. E empreender”.

Foto de almofada ao lado de cartão da Mimi Costurices.

Crédito: arquivo pessoal

A rotina de produção das encomendas ainda é algo que Míriam está aprendendo a organizar: “Não tenho muita noção de quantas horas trabalho por dia. Às vezes 4 horas, às vezes 8 horas. Depende do volume das encomendas”. E se surpreende em como está conhecendo um novo lado de si mesma: “Sou extremamente organizada. Mas a costura me mostrou uma Míriam diferente”.

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A estratégia de colocar suas criações nas redes sociais funcionou. Míriam tem a Internet como seu ponto de venda. “Quase 90% dos meus clientes chegam até minhas redes sociais através de indicação de amigos e família”, diz. Apesar de suas vendas terem começado em uma feira, ela não participa de nenhuma no momento. “Meu trabalho é mais sob encomenda. Faço as peças do jeitinho que o cliente me pede. Não tenho volume de peças para participação em feiras. Mas é algo que avalio para o futuro”.

A Mimi Costurices é a única fonte de renda de Míriam, que ainda não consegue se sustentar com ela, mas afirma ser questão de tempo: “Tenho lucro. Em breve será possível viver da minha empresa”. E os planos para o futuro não param por aí. Míriam tem a intenção de focar no público infantil e apenas em datas especiais fazer peças para outros públicos. “Imagino a Mimi Costurices com uma estrutura sólida, com uma loja voltada para o público infantil, vendendo e lucrando muito”.

Apoio familiar

A artesã segue fazendo cursos de aprimoramento e acredita na força da rede de empreendedoras que colocam dicas e suas experiências na Internet ajudando quem está começando o próprio negócio.

Míriam encontra forças para seguir em frente na família e nos amigos: “Alguns me dão dicas de como tirar fotos melhores para as redes sociais, como publicar, como atrair mais clientes. Muitos fazem propaganda da Mimi Costurices. Tenho uma rede de muito amor e carinho que só me dá forças pra continuar acreditando”.

E as memórias da avó Carmem se fazem presentes: “Cada vez que eu me sento na máquina para costurar, sinto como se minha avó estivesse ali do meu lado, apertando o pedal da máquina junto comigo, guiando minhas mãos e olhos. Tem muito dela no que faço. Todo o sentimento de amor dela por mim e meu por ela”, conta emocionada.

Você conhece alguém que mudou de vida depois que abriu seu próprio negócio? Conta para gente.