Conheça as 5 principais causas de fechamento de franquias no Brasil

Apesar de a modalidade ser mais segura para empreendedores menos experientes, uma vez que já passaram pelo período de maturação do negócio, as franquias demandam muita atenção

Loja de franquia abandonada

(Crédito: EyeMark/123RF)

Abrir uma franquia é uma forma de pegar um atalho no empreendedorismo. Normalmente, a franqueadora escolhida já passou pelo tempo de maturação do negócio, que é o período em que são feitos testes com consumidores e clientes, além da adaptação da marca à sua demanda. Por isso, de acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), a taxa de mortalidade de franquias com até dois anos de operação é de apenas 3%. O que faz com que os empreendedores menos experientes busquem essa alternativa considerada “mais segura”. Mas não se engane: ter uma franquia não é viajar num céu de brigadeiro. Elas também morrem. E muitas vezes por algumas poucas razões em comum.

O Portal do Franchising, da ABF, publicou recentemente um estudo da consultoria especializada Franchise Solutions, que ouviu redes franqueadoras do Brasil inteiro. E de acordo com a pesquisa, são cinco os principais erros cometidos pelas franquias que acabam fechando suas portas.

Veja quais são os cinco principais motivos:

• Localização (31%)
• Capital de giro (28%)
• Treinamento (19%)
• Concorrência (14%)
• Sazonalidade (8%)

O ponto é tudo

De acordo com Pedro Almeida, a localização escolhida para o ponto de venda é crucial para o sucesso de um negócio. Não é diferente com as franquias. Segundo ele, é preciso entender se o negócio é de “destino” ou de “passagem”.
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“A principal diferença é que negócios de ‘passagem’ precisam ser instalados em locais com grande fluxo de pessoas ou de carros, como shoppings e centros de compras. Já os de ‘destino’ não necessitam disso, porém precisam ter facilidade de acesso”, explica o executivo.

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Falta de dinheiro

A falta de capital de giro também é um problema sério. Para as 28% das franquias que fecham, o esvaziamento do dinheiro de caixa é o principal motivo do insucesso. Neste caso, a opção que o empreendedor tem é buscar uma linha de crédito em bancos públicos e privados, para tentar evitar a morte de seu negócio.

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Equipe despreparada

O mal treinamento dos colaboradores, de acordo com Pedro Almeida, muitas vezes se deve ao fato de que o investidor não percebe que a franquia escolhida não oferece o suporte necessário para a preparação dos seus prestadores de serviço

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“O problema maior não é abrir uma franquia em um local distante da franqueadora, mas sim a franqueadora não ter uma equipe para suprir a demanda por treinamento para seus franqueado”, disse o consultor.

Briga por espaço

No caso da concorrência, a principal medida para evitar ser ofuscado é buscar uma estratégia de precificação. Segundo Pedro Almeida, muitas franquias decidem baixar drasticamente os preços dos produtos em épocas de vendas baixas, visando ganhar competitividade em relação ao concorrente. Porém, nem sempre esta é a medida mais correta, pois pode prejudicar o fluxo de caixa.

Em relação à sazonalidade, trata-se de uma característica apresentada, em maiores ou menores níveis, por todos os negócios. E, de acordo com o consultor, seja qual for o grau de sazonalidade, é importante que o empreendedor perceba qual é o momento dela dentro da franquia.

“Com essa informação em mãos, é possível planejar e criar estratégias inteligentes para diminuir o impacto na vida financeira da empresa”, aconselhou Pedro.

O contrato de franquias

E se o pior acontecer e a franquia tiver mesmo que fechar as portas, é importante que o empreendedor e também o franqueador estejam resguardados pelo contrato de franquias. No documento, deverão constar todas as cláusulas a serem seguidas em casos de falência ou desistência do franqueado em seguir com a operação.

Veja, abaixo, uma lista elaborada pelo Portal do Franchising, com as principais cláusulas de um encerramento do contrato de franquias:

Cláusula de direito de preferência

Garante ao franqueador a preferência na compra do negócio do franqueado. Ou seja, a franquia terá o direito de escolher se compra a unidade do franqueado desistente.

Cláusula de quarentena

Visa impedir que um ex-franqueado da rede, ao fim do contrato, tenha no mesmo ponto comercial, um negócio idêntico ou semelhante ao do franqueador. Essa carência pode chegar a cinco anos.

Cláusula de raio

Semelhante à cláusula acima, tem o propósito de delimitar uma área. Nela, tanto franqueados como ex-franqueados ficam proibidos de montarem um negócio que siga o mesmo ramo de atuação da rede.

Cláusula de rescisão

Entre todas, esta é a principal e mais importante regra do contrato. Ela regula as hipóteses em que uma das partes rompe o contrato de franquia antes, depois ou mesmo ao término do prazo determinado de vigência do contrato.

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